O saxofonista

outubro 15, 2008 por sumakkausai

Eu tenho que escrever isso aqui rapidinho, é um historinha que a Elisa minha filha me contou, parece que foi verdade mesmo.

Eu estava reclamando dos putos dos meus vizinhos que fazem barulho quando chegam bêbados de madrugada, quando a mulher e a franga filha levantam às 6 da matina de salto alto, quando estou fazendo a siesta depois do almoço e lá vem as vacas sapateando na minha cabeça e entre 10 e meia noite, quando aquela multidão de gente que mora num apartamento de três quartos arrasta camas e móveis pra caber todo mundo.

Daí que eu estava me lamentando desse tormento e a Elisa me contou que uns meninos moravam numa república e tinha um cara que tocava sax no apartamento de cima, um som muito legal, mas que às duas horas da manhã não dá porque neguin tem que levantar cedo pra ir pra faculdade, trabalhar, essas coisas. Daí que os meninos levantavam e ficavam gritando com o saxofonista como ele tocava mal, que as músicas eram uma droga, até o cara desistiu, parou de tocar e ficou tudo na santa paz, até que um dia um dos meninos viu, da janela do apartamento o cara tocando numa pracinha lá do lado do prédio. Ô, xarazin, que coisa mais triste, ver o saxofonista sozinho, daí que os meninos foram lá na praça e disseram que gostavam do som dele, que nem incomodava tanto e, que se quisesse, podia tocar a qualquer hora que ninguém ia pertubar.

Se você achar que está mal escrito, e está mesmo porque não vou nem revisar, imagine que coisa legal que rolou entre esses meninos e o saxofonista, não dá pra descrever, né?

É uma pena que isto fique só entre mim e eu mesmo, mas se você chegou até aqui, obrigado.

Prefeitura de BH entra na Justiça contra lei do silêncio

outubro 5, 2008 por sumakkausai

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u311842.shtml

 

13/07/200722h39

CLARA FAGUNDES
da Agência Folha

A Prefeitura de Belo Horizonte entrou nesta semana com Ação Direta de Inconstitucionalidade no Tribunal de Justiça de Minas Gerais contra a nova “lei do silêncio” do município, que deve entrar em vigor em agosto.

Vetada parcialmente pelo prefeito, em fevereiro, a proposta voltou à Câmara Municipal, que derrubou o veto.

A legislação, inspirada na “lei do psiu” paulistana, endurece os limites para ruídos em Belo Horizonte. O máximo permitido passa a variar entre 45 e 75 decibéis –valores estabelecidos para áreas residenciais (das 22h às 7h) e áreas industriais (das 7h às 19h), respectivamente. Em São Paulo, o limite vai de 55 a 70 decibéis, conforme horário.

O procurador-geral do município, Marco Antônio de Rezende, questiona a competência da câmara para propor a lei. “Há um vício original na proposta, que é não ter passado por órgãos técnicos. A Secretaria Municipal Adjunta de Meio Ambiente não foi ouvida”, afirmou Rezende.

Segundo o procurador, os limites estabelecidos são impraticáveis, pois colocariam na ilegalidade toda a cidade, inclusive o poder público. “Parecer da secretaria do meio ambiente indica que a fiscalização é impossível. Os helicópteros da polícia, viaturas e ambulâncias não poderia circular sem cometer infração”, disse.

Na justificativa para o veto parcial, o prefeito Fernando Pimentel (PT) critica também a elevação do valor das multas. Segundo Pimentel, os valores estabelecidos causarão um descompasso no desenvolvimento de atividades econômicas, dívidas e desemprego.

A vereadora Elaine Matozinhos (PTB), autora do projeto, garante que ouviu especialistas e que o projeto é perfeitamente viável. “O problema é que a prefeitura cedeu ao lobby do barulho. Toda argumentação do prefeito é baseada nos prejuízos às atividades comerciais, sem qualquer menção à tranqüilidade das pessoas”, disse.

buteco do biu ou pra entender uol istrit

outubro 2, 2008 por sumakkausai

27 de julho – Por Vitor Hugo Martins http://vhmartins.spaces.live.com/blog/cns!4D40F943E3BB7EC4!2516.entry

Analise economica versão matuta.

Já não precisa ser “emebiêi ” para entender a crise financeira atual. Só que, na brincadeira, dá para entender o que o economês dos jornais tentam explicar a algum tempo. Veja a explicação mais simples abaixo: Entendendo a complexidade da crise subprime americana: É assim: o seu Biu tem um bar, na Vila Carrapato, e vende muita cachaça. Como os fregueis tão diminuindo, ele decide que vai vender cachaça “na cardeneta” aos seus leais fregueses, todos bêbados, quase todos desempregados. Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose da branquinha (a diferença é o sobrepreço que os pinguços pagam pelo crédito). O gerente do banco do seu Biu, um ousado administrador formado em curso de emebiêi, decide que as cadernetas das dívidas do bar constituem, afinal, um ativo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento tendo o pendura dos pinguços como garantia. Uns seis zé-cutivos de bancos, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do banco, e os transformam em CDB, CDO, CCD, UTI, PQP, OVNI, SOS ou qualquer outro apelido financeiro que ninguém sabe exatamente o que quer dizer: é só um apelido. Esses adicionais instrumentos financeiros alavancam o mercado de capitais e conduzem a que se façam operações estruturadas de derivativos, na Bolsa de Mercadorias e de Futuros-BM&F, cujo lastro inicial todo mundo desconhece (as tais cardenetas do seu Biu). Esses derivativos estão sendo negociadas como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países. Até que alguém descobre que os bebuns da Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas, e o Bar do seu Biu vai à falência. E toda a cadeia “sifu”! Intendeu agora? Então bota mais uma…

Alavancagem

setembro 22, 2008 por sumakkausai
http://www.valoronline.com.br/ValorOnLine/MateriaCompleta.aspx?tit=Nova+York+cai+forte+e+arrasta+Bovespa;+índice+fecha+em+queda+de+2,86%&codmateria=5163922&dtmateria=22+09+2008&codcategoria=212&tp=461436859Nova York cai forte e arrasta Bovespa; índice fecha em queda de 2,86%
Valor Online
22/09/2008 18:34
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SÃO PAULO – A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) não conseguiu escapar da forte piora de sentimento externo e começou a semana em território negativo. Depois de ensaiar alta no começo da manhã, o Ibovespa fechou o dia com perda de 2,86%, aos 51.540 pontos. O giro financeiro recuou se comparado à sexta-feira, somando R$ 5,35 bilhões.Nem as ações da Petrobras, que vinham limitando as perdas do dia, escaparam das vendas. Depois de subir mais de 4%, a ação PN fechou valendo R$ 34,90, baixa de 0,22%. O papel perdeu sustentação mesmo com uma acentuada alta no preço do petróleo.Com os investidores fugindo do dólar no mundo tudo, as commodities voltaram a ser refúgio para o dinheiro e o movimento mais emblemático foi observado no preço do petróleo, que chegou a disparar US$ 25 no contrato de outubro antes de perder um pouco de força, mas ainda assim registrar o maior ganho diário desde 1984 e voltar o patamar de US$ 120 o barril de WTI.

Essa acentuada alta da energia piorou ainda mais o humor dos investidores no mercado externo, onde o pregão foi marcado pelas dúvidas sobre a operacionalização da nova agência que está autorizada a comprar US$ 700 bilhões em títulos podres que estão com os bancos norte-americanos. Ao final do pregão, o Dow Jones apontava baixa de 3,27%. A bolsa eletrônica Nasdaq caiu 4,17%.

Na avaliação do sócio da Global Financial Advisor, Miguel Daoud, os investidores começam a se dar conta de que o plano anunciado nos Estados Unidos não representa a solução dos problemas que atingem o mercado de crédito.

Segundo Daoud, esse pacote é uma tentativa de conter a expectativa do mercado com relação à degradação do sistema financeiro norte-americano, mas basta fazer algumas contas para descobrir que os US$ 700 bilhões podem estar longe de ser suficientes para sanear a folha dos bancos.

O problema, segundo o especialista, é a alavancagem no sistema financeiro, muito elevada. Segundo dados do Banco Internacional de Compensações (BIS), o mercado de derivativos em dezembro de 2007 – dado mais recente da instituição – somava US$ 596 trilhões.

Dentro das categorias de derivativos, entre moeda, juros e ações, o que mais preocupa são os Credit Default Swaps (CDS) instrumento que está no centro da crise, pois representa um tipo de seguro de crédito. Somente esse mercado somava US$ 57,8 trilhões no final do ano passado, cifra superior ao Produto Interno Bruto (PIB) mundial, estimado em US$ 50 trilhões. Segundo Daoud, projeção atualizada aponta que esse montante dos CDS já passa de US$ 62 trilhões.

“Agora, vamos imaginar que 10% desse mercado corra risco. Isso representa cerca de US$ 6 trilhões”, pondera.

Segundo Daoud, o mercado começou a entender que o plano de socorro por si só não é a solução do problema. A questão passa pelo ajuste no preço de todos os ativos e, dependendo da velocidade desse ajuste, o mundo pode passar por uma forte recessão.

De acordo com o especialista, a economia brasileira também sofrerá com esse ajuste global e o principal canal de transmissão da crise para a economia interna é a restrição de crédito tanto para consumo quanto para investimento.

Para Daoud, por ora, o governo brasileiro está subestimando o potencial destrutivo da crise atual, mas já deveria estar bolando um plano para enfrentar a menor oferta de crédito.

Voltando ao dia-a-dia da Bovespa, as perdas da sessão foram lideradas pelos ativos PNA da Vale, que recuaram 3,77%, para R$ 35,45.

Perdas acentuadas também para os bancos e siderúrgicas. A ação ON da CSN cedeu 4,80%, para R$ 49,50 e Gerdau PN caiu 2,92%, para R$ 25,25. O papel PN do Itaú teve baixa de 4,68%, para R$ 30,50 e as units do Unibanco desvalorizaram 3,82%, para R$ 19,37.

As varejistas amargaram as maiores perdas dentro do índice. A ação ON da Lojas Renner fechou valendo de 11,15% menos, negociada a R$ 23,90. Lojas Americanas PN caíram 8,60%, para R$ 8,50.

Com a alta no preço do petróleo, as aéreas perdem atratividade. TAM PN caiu 5,51%, valendo R$ 36,00, e GOL PN recuou 8,31%, para R$ 13,68.

Destoando, Souza Cruz ON avançou 4,87%, para R$ 42,80. Telemar Norte Leste PNA subiu 3,0%, para R$ 54,09, e Celesc PNB ganhou 2,42%, para R$ 44,76.

(Eduardo Campos | Valor Online

Alavancagem

setembro 22, 2008 por sumakkausai

http://www.valoronline.com.br/ValorOnLine/MateriaCompleta.aspx?tit=Nova+York+cai+forte+e+arrasta+Bovespa;+índice+fecha+em+queda+de+2,86%&codmateria=5163922&dtmateria=22+09+2008&codcategoria=212&tp=461436859Nova York cai forte e arrasta Bovespa; índice fecha em queda de 2,86%

Valor Online
22/09/2008 18:34
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SÃO PAULO – A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) não conseguiu escapar da forte piora de sentimento externo e começou a semana em território negativo. Depois de ensaiar alta no começo da manhã, o Ibovespa fechou o dia com perda de 2,86%, aos 51.540 pontos. O giro financeiro recuou se comparado à sexta-feira, somando R$ 5,35 bilhões.Nem as ações da Petrobras, que vinham limitando as perdas do dia, escaparam das vendas. Depois de subir mais de 4%, a ação PN fechou valendo R$ 34,90, baixa de 0,22%. O papel perdeu sustentação mesmo com uma acentuada alta no preço do petróleo.

Com os investidores fugindo do dólar no mundo tudo, as commodities voltaram a ser refúgio para o dinheiro e o movimento mais emblemático foi observado no preço do petróleo, que chegou a disparar US$ 25 no contrato de outubro antes de perder um pouco de força, mas ainda assim registrar o maior ganho diário desde 1984 e voltar o patamar de US$ 120 o barril de WTI.

Essa acentuada alta da energia piorou ainda mais o humor dos investidores no mercado externo, onde o pregão foi marcado pelas dúvidas sobre a operacionalização da nova agência que está autorizada a comprar US$ 700 bilhões em títulos podres que estão com os bancos norte-americanos. Ao final do pregão, o Dow Jones apontava baixa de 3,27%. A bolsa eletrônica Nasdaq caiu 4,17%.

Na avaliação do sócio da Global Financial Advisor, Miguel Daoud, os investidores começam a se dar conta de que o plano anunciado nos Estados Unidos não representa a solução dos problemas que atingem o mercado de crédito.

Segundo Daoud, esse pacote é uma tentativa de conter a expectativa do mercado com relação à degradação do sistema financeiro norte-americano, mas basta fazer algumas contas para descobrir que os US$ 700 bilhões podem estar longe de ser suficientes para sanear a folha dos bancos.

O problema, segundo o especialista, é a alavancagem no sistema financeiro, muito elevada. Segundo dados do Banco Internacional de Compensações (BIS), o mercado de derivativos em dezembro de 2007 – dado mais recente da instituição – somava US$ 596 trilhões.

Dentro das categorias de derivativos, entre moeda, juros e ações, o que mais preocupa são os Credit Default Swaps (CDS) instrumento que está no centro da crise, pois representa um tipo de seguro de crédito. Somente esse mercado somava US$ 57,8 trilhões no final do ano passado, cifra superior ao Produto Interno Bruto (PIB) mundial, estimado em US$ 50 trilhões. Segundo Daoud, projeção atualizada aponta que esse montante dos CDS já passa de US$ 62 trilhões.

“Agora, vamos imaginar que 10% desse mercado corra risco. Isso representa cerca de US$ 6 trilhões”, pondera.

Segundo Daoud, o mercado começou a entender que o plano de socorro por si só não é a solução do problema. A questão passa pelo ajuste no preço de todos os ativos e, dependendo da velocidade desse ajuste, o mundo pode passar por uma forte recessão.

De acordo com o especialista, a economia brasileira também sofrerá com esse ajuste global e o principal canal de transmissão da crise para a economia interna é a restrição de crédito tanto para consumo quanto para investimento.

Para Daoud, por ora, o governo brasileiro está subestimando o potencial destrutivo da crise atual, mas já deveria estar bolando um plano para enfrentar a menor oferta de crédito.

Voltando ao dia-a-dia da Bovespa, as perdas da sessão foram lideradas pelos ativos PNA da Vale, que recuaram 3,77%, para R$ 35,45.

Perdas acentuadas também para os bancos e siderúrgicas. A ação ON da CSN cedeu 4,80%, para R$ 49,50 e Gerdau PN caiu 2,92%, para R$ 25,25. O papel PN do Itaú teve baixa de 4,68%, para R$ 30,50 e as units do Unibanco desvalorizaram 3,82%, para R$ 19,37.

As varejistas amargaram as maiores perdas dentro do índice. A ação ON da Lojas Renner fechou valendo de 11,15% menos, negociada a R$ 23,90. Lojas Americanas PN caíram 8,60%, para R$ 8,50.

Com a alta no preço do petróleo, as aéreas perdem atratividade. TAM PN caiu 5,51%, valendo R$ 36,00, e GOL PN recuou 8,31%, para R$ 13,68.

Destoando, Souza Cruz ON avançou 4,87%, para R$ 42,80. Telemar Norte Leste PNA subiu 3,0%, para R$ 54,09, e Celesc PNB ganhou 2,42%, para R$ 44,76.

(Eduardo Campos | Valor Online

Peido de vaca contribui para o aquecimento global

agosto 28, 2008 por sumakkausai
 

28/08/2008

A carne bovina contribui para o aquecimento global

Michaela Schiessl e Christian Schwägerl

Independentemente de o gado ser criado organicamente ou por métodos convencionais, o efeito final é ruim para o meio ambiente, segundo um novo relatório alemão. Mas o lobby do agronegócio impede os políticos de tratarem desta imensa fonte de emissão de gases do efeito estufa.

Para a maioria das pessoas, é o próprio quadro da bem-aventurança rural, de uma vida em sintonia com a natureza e o mundo saudável do campo: a vaca feliz pastando no prado viçoso, ruminando calmamente, com um bezerro ao seu lado.

Mas para Thilo Bode, a visão desta criatura de olhos mansos é tudo menos tranqüilizadora. Bode, o chefe da organização alemã de proteção do consumidor Foodwatch, alertou: “A vaca é uma bomba climática”.

Independentemente de serem criadas de forma convencional ou orgânica, uma coisa que as vacas têm em comum é que arrotam e peidam sem contenção. Como todos os ruminantes, as vacas estão constantemente emitindo metano – um gás do efeito estufa que é 23 vezes mais poderoso do que o dióxido de carbono – por ambos os lados. Tão malcheirosas quanto as dos porcos, são as emissões gasosas de bilhões de bovinos, cabras e ovelhas que estão contribuindo para o aquecimento global.

Bode queria descobrir quão forte são os efeitos dos gases metano, óxido nitroso e CO2 no efeito estufa. Na segunda-feira (25), a Foodwatch publicou um estudo abrangente sobre os efeitos da agropecuária no clima, o primeiro estudo do tipo a diferenciar entre agropecuária convencional e orgânica. Os cientistas que conduziram o estudo, juntamente com o Instituto de Pesquisa Econômica Ecológica (IÖW) da Alemanha, levaram em consideração tanto as emissões de CO2 resultantes da produção de ração e fertilizantes, assim como as necessidades de terras e produtividade de vários métodos de produção.

Os resultados são suficientes para deixar os fãs de filés e hambúrgueres em pânico. Mesmo se todas as fazendas e métodos, orgânicos ou não, fossem otimizados para reduzir seus efeitos sobre o clima, a Foodwatch concluiu que a abordagem principal para tornar a agropecuária melhor para o clima exigiria uma redução drástica da produção de carne. Isto representaria um aumento radical nos preços do produto. “É hora de voltarmos aos dias do assado dominical”, disse Bode.

Um ponto cego na política de proteção do clima

Mas quando chega a hora de dar a má notícia para o cidadão comum, os políticos se tornam repentinamente escassos. A agricultura é o ponto cego na política de proteção do clima do governo alemão. Os produtores rurais são em grande parte isentos do ambicioso programa nacional de redução das emissões dos gases do efeito estufa, em 40% em relação aos níveis de 1990 até o ano 2020, por meio de métodos como melhor isolamento térmico, economia de energia e uso de substitutos da gasolina. Ironicamente, a agropecuária alemã é responsável por 133 milhões de toneladas de emissões equivalentes ao CO2, o que a coloca próxima do nível de emissões atribuído ao trânsito (152 milhões de toneladas).

Funcionários do Ministério da Agricultura alemão, comandado por Horst Seehofer, um membro da conservadora União Social Cristã (CSU), oferecem uma explicação desarmadoramente simples: é “difícil demais, do ponto de vista metodológico”, medir os gases do efeito estufa que são emitidos pelo uso de fertilizantes, fumigação de pesticidas e herbicidas, digestão do gado e drenagem das terras alagadiças. Enquanto isso, o Ministério do Meio Ambiente tem uma posição completamente diferente sobre o assunto: “Nós isentamos a agricultura da estratégia de proteção do clima visando limitar o número de fontes potenciais de conflito”, disse um alto membro da equipe do ministro do meio ambiente, Sigmar Gabriel, um membro do Partido Social-Democrata (SPD).

Hans-Joachim Koch, que, até recentemente, orientava o governo no seu papel de presidente do Conselho Consultivo do Meio Ambiente alemão, foi ainda mais direto quando disse: “O lobby é bem organizado”. Seu sucessor, Martin Faulstich, concordou. “Ninguém ousa dizer que devemos comer menos carne e mais proteína vegetal”, disse Faulstich, que anunciou planos para encomendar um relatório especial sobre a agricultura.

O conselho está particularmente preocupado com o afrouxamento dos padrões de proteção ambiental no contexto do planejado Código Ambiental. O Ministério da Agricultura conseguiu evitar regras relacionadas à agricultura, como uma proibição da drenagem de terras alagadiças. Agora o esboço da legislação será apresentado ao Parlamento alemão, o Bundestag, após as férias de verão – mas sem essas propostas.

Os resultados do estudo da Foodwatch claramente ilustram quão importante é a inclusão do setor agropecuário.

A pior fonte de emissões agropecuárias, correspondendo a 30% do total, é a drenagem de terras alagadiças. As grandes quantidades de CO2 presas no solo das terras alagadiças são liberadas quando a terra é usada para a agricultura ou pecuária. Segundo o estudo do IÖW, a única forma de deter estes efeitos adversos ao clima seria recuperar as terras alagadiças. A perda de terras resultante teria de ser compensada com o descarte completo da agricultura voltada aos biocombustíveis, uma prática que já é considerada questionável em termos de emissões de CO2, por causa da grande quantidade de fertilizantes que consome.

Mas, segundo a análise da Foodwatch dos resultados do estudo do IÖW, a agricultura orgânica também não é tão boa para o clima quanto muitos consumidores acreditam. Uma conversão completa para a agropecuária orgânica otimizada para o clima, que exige mais terras, reduziria as emissões em cerca de 20%. Mas isso se deveria principalmente ao não uso de fertilizante nitrogenado, com sua produção intensiva em energia e emissão de óxido nitroso nos campos. O óxido nitroso é 300 vezes mais prejudicial que o dióxido de carbono.

Notas baixas para a agropecuária orgânica

Se a quantidade de terra utilizada pela agropecuária permanecer no nível atual, o resultado seria alta perda de produtividade. Teria que ocorrer um declínio de 70% na produção de carne e leite. O efeito benéfico para o clima seria obtido principalmente pela redução do número de cabeças de gado, não pelo uso de métodos orgânicos.

A agropecuária orgânica também apresenta notas mais baixas quando se trata de engordar gado. O boi criado organicamente tem um impacto menos benéfico sobre o clima do que o boi altamente cultivado, mesmo quando a produção da ração é levada em conta. O boi criado organicamente precisa de mais espaço e também exige palha tradicional. Isso produz emissões, diferente dos pisos perfurados nos quais o gado “turbinado” passa sua breve vida.

Segundo a análise da Foodwatch, é aí que um conflito com grupos de direitos dos animais provavelmente surgirá. Mas uma coisa é clara: qualquer um que acredita que ao comprar um filé em uma loja orgânica está automaticamente contribuindo para a proteção do clima está enganado.

A diferença pode ser ilustrada por uma comparação com as emissões dos automóveis. A produção de um quilo de carne alimentada com capim gera a mesma quantidade de emissões que dirigir 113,4 quilômetros com um carro compacto. Devido aos métodos de produção mais intensivos, produzir um quilo de carne convencional equivale e dirigir apenas 70,6 quilômetros.

Um quilo de queijo, produzido de forma convencional, equivale a 71,4 quilômetros de rodagem, enquanto o queijo orgânico é um pouco mais favorável, com 65,5 quilômetros. Produzir um quilo de carne de porco causa o equivalente a apenas 25,8 quilômetros de rodagem, e apenas 17,4 quilômetros para carne de porco orgânica.

Os vegetarianos decididamente comem de uma forma boa para o clima. Mas a simples opção de viver sem carne bovina pode melhorar significativamente a pegada de carbono de uma pessoa.

Mas como convencer produtores rurais e consumidores a produzirem e consumirem de formas que sejam melhores para o clima?

Segundo a Foodwatch, fazer com que o setor agropecuário participe do comércio de emissões não é viável. Em vez disso, a Foodwatch quer que a União Européia elimine todos seus subsídios agrícolas e introduza taxas sobre emissões e impostos ambientais. Isso recompensaria os produtores rurais por produção boa em CO2. Os consumidores seriam aqueles que pagariam pelo novo sistema, com o resultado (pretendido) sendo um aumento substancial no custo da carne, leite e queijo.

Gabriel, o ministro do Meio Ambiente, tem uma posição semelhante. Em documentos de estratégia, ainda confidenciais, Gabriel busca ativamente um confronto com o lobby agropecuário. Segundo Gabriel, 40 bilhões de euros em subsídios agrícolas só podem ser justificados se o dinheiro não prejudicar o clima. Ele também quer introduzir um sistema de inspeção ambiental que proibiria a importação de ração produzida em antigas áreas de floresta tropical. Segundo o documento de Gabriel, “nós precisamos de reestruturação radical dos subsídios”. Ele argumenta que os produtores rurais só devem receber subsídios por coisas que “tenham um efeito positivo sobre a natureza e o meio ambiente”.

Ao expressar estas posições, o ministro do Meio Ambiente está se colocando diretamente em oposição a Seehofer e tomando partido da Comissão de Bruxelas, que espera redefinir até 17% dos subsídios agrícolas o mais rapidamente possível, de pagamentos diretos aos produtores rurais à proteção agrícola do clima.

Na terça-feira (26), Seehofer, que se opõe à idéia, se encontrou com especialistas agropecuários federais e estaduais em Bonn para finalizar um pacote de medidas de proteção ao clima. O plano inclui propostas para “fertilização mais eficiente”, novos animais que emitem menos metano e auxílio de investimento para compra de “equipamento agrícola bom para o meio ambiente”. Ele também pede pela redução da quantidade de terras em uso.

Na verdade, o plano apenas pede por ações que há muito são exigidas ou aprovadas de forma voluntária. Metas de conservação concretas não são especificadas e não há menção sobre a redução do número de vacas.

Os altos funcionários de Seehofer estão cientes de que estas medidas são insuficientes para reduzir significativamente as emissões de gases do efeito estufa. Segundo altos funcionários do ministério, uma redução drástica dos gases emitidos pela agricultura só seria possível se as pessoas consumissem menos carne, leite, queijo e iogurte. Mas os mesmos funcionários reconhecem que isto é algo que eles não desejam e nem possuem a autoridade para exigir que alguém faça.

A equipe de Seehofer teme que a imposição de um imposto do clima sobre a carne e o leite levaria a protestos sociais e políticos – e a uma terceirização da produção no exterior. Por este motivo, eles argumentam, não faz nenhum sentido seguir esta rota.

Mas a Foodwatch acredita que esta é a única abordagem razoável, e não está sozinha nesta avaliação. O World Wildlife Fund, o Greenpeace e muitos especialistas têm posições semelhantes. A Federação das Organizações Alemãs do Consumidor deseja ver tanto o setor agrícola quanto o Conselho Consultivo do Meio Ambiente sejam incluídos na política do clima.

Os verdes defendem um bônus de clima, e seu membro no Parlamento Europeu, Friedrich-Wilhelm Graefe zu Baringdorf, acredita que um imposto sobre CO2 faz sentido, desde que seja introduzido para todos os setores. Mas, disse Baringdorf, o imposto não deve ser usado para substituir os subsídios agrícolas, e o sistema de subsídios precisa ser completamente reformulado.

Baringdorf, um produtor rural orgânico, disse que uma certa quantidade de moderação na produção de carne seria apropriada. “Mas vamos ser honestos. Eu não acredito que o mundo acabará por causa de peidos e arrotos de vacas.”

Tradução: George El Khouri

http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/derspiegel/2008/08/28/ult2682u917.jhtm

SUMAK KAUSAI

junho 6, 2008 por sumakkausai

23/04/2008 | Copyleft

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EDUARDO GALEANO

A natureza não é muda

O Equador está discutindo uma nova Constituição. Entre as propostas, abre-se a possibilidade de reconhecer, pela primeira vez na história, os direitos da natureza. Parece loucura querer que a natureza tenha direitos. Em compensação, parece normal que as grandes empresas dos EUA desfrutem de direitos humanos, conforme foi aprovado pela Suprema Corte, em 1886.

O mundo pinta naturezas mortas, sucumbem os bosques naturais, derretem os pólos, o ar torna-se irrespirável e a água imprestável, plastificam-se as flores e a comida, e o céu e a terra ficam completamente loucos.

E, enquanto tudo isto acontece, um país latino-americano, o Equador, está discutindo uma nova Constituição. E nessa Constituição abre-se a possibilidade de reconhecer, pela primeira vez na história universal, os direitos da natureza.

A natureza tem muito a dizer, e já vai sendo hora de que nós, seus filhos, paremos de nos fingir de surdos. E talvez até Deus escute o chamado que soa saindo deste país andino, e acrescente o décimo primeiro mandamento, que ele esqueceu nas instruções que nos deu lá do monte Sinai: “Amarás a natureza, da qual fazes parte”.

Um objeto que quer ser sujeito
Durante milhares de anos, quase todo o mundo teve direito de não ter direitos.

Nos fatos, não são poucos os que continuam sem direitos, mas pelo menos se reconhece, agora, o direito a tê-los; e isso é bastante mais do que um gesto de caridade dos senhores do mundo para consolo dos seus servos.

E a natureza? De certo modo, pode-se dizer que os direitos humanos abrangem a natureza, porque ela não é um cartão postal para ser olhado desde fora; mas bem sabe a natureza que até as melhores leis humanas tratam-na como objeto de propriedade, e nunca como sujeito de direito.

Reduzida a uma mera fonte de recursos naturais e bons negócios, ela pode ser legalmente maltratada, e até exterminada, sem que suas queixas sejam escutadas e sem que as normas jurídicas impeçam a impunidade dos criminosos. No máximo, no melhor dos casos, são as vítimas humanas que podem exigir uma indenização mais ou menos simbólica, e isso sempre depois que o mal já foi feito, mas as leis não evitam nem detêm os atentados contra a terra, a água ou o ar.

Parece estranho, não é? Isto de que a natureza tenha direitos… Uma loucura. Como se a natureza fosse pessoa! Em compensação, parece muito normal que as grandes empresas dos Estados Unidos desfrutem de direitos humanos. Em 1886, a Suprema Corte dos Estados Unidos, modelo da justiça universal, estendeu os direitos humanos às corporações privadas. A lei reconheceu para elas os mesmos direitos das pessoas: direito à vida, à livre expressão, à privacidade e a todo o resto, como se as empresas respirassem. Mais de 120 anos já se passaram e assim continua sendo. Ninguém fica estranhado com isso.

Gritos e sussurros
Nada há de estranho, nem de anormal, o projeto que quer incorporar os direitos da natureza à nova Constituição do Equador.

Este país sofreu numerosas devastações ao longo da sua história. Para citar apenas um exemplo, durante mais de um quarto de século, até 1992, a empresa petroleira Texaco vomitou impunemente 18 bilhões de galões de veneno sobre terras, rios e pessoas. Uma vez cumprida esta obra de beneficência na Amazônia equatoriana, a empresa nascida no Texas celebrou seu casamento com a Standard Oil. Nessa época, a Standard Oil, de Rockefeller, havia passado a se chamar Chevron e era dirigida por Condoleezza Rice. Depois, um oleoduto transportou Condoleezza até a Casa Branca, enquanto a família Chevron-Texaco continuava contaminando o mundo.

Mas as feridas abertas no corpo do Equador pela Texaco e outras empresas não são a única fonte de inspiração desta grande novidade jurídica que se tenta levar adiante. Além disso, e não é o menos importante, a reivindicação da natureza faz parte de um processo de recuperação das mais antigas tradições do Equador e de toda a América. Visa a que o Estado reconheça e garanta o direito de manter e regenerar os ciclos vitais naturais, e não é por acaso que a Assembléia Constituinte começou por identificar seus objetivos de renascimento nacional com o ideal de vida do sumak kausai. Isso significa, em língua quechua, vida harmoniosa: harmonia entre nós e harmonia com a natureza, que nos gera, nos alimenta e nos abriga e que tem vida própria, e valores próprios, para além de nós.

Essas tradições continuam miraculosamente vivas, apesar da pesada herança do racismo, que no Equador, como em toda a América, continua mutilando a realidade e a memória. E não são patrimônio apenas da sua numerosa população indígena, que soube perpetuá-las ao longo de cinco séculos de proibição e desprezo. Pertencem a todo o país, e ao mundo inteiro, estas vozes do passado que ajudam a adivinhar outro futuro possível.

Desde que a espada e a cruz desembarcaram em terras americanas, a conquista européia castigou a adoração da natureza, que era pecado de idolatria, com penas de açoite, forca ou fogo. A comunhão entre a natureza e o povo, costume pagão, foi abolida em nome de Deus e depois em nome da civilização. Em toda a América, e no mundo, continuamos pagando as conseqüências desse divorcio obrigatório.

Publicado originalmente no semanário Brecha, do Uruguai.

WWF-Brasil/Ibope alertam: classe alta brasileira consome três planetas Terra

junho 6, 2008 por sumakkausai

05 Jun 2008
Se todos no mundo adotassem o mesmo padrão de consumo das classes A e B brasileiras, seriam necessários três planetas Terra para repor os recursos naturais utilizados. Atualmente, segundo o relatório Planeta Vivo, da Rede WWF, a população mundial já consome em média 25% a mais do que a terra é capaz de repor.

No Dia Mundial do Meio Ambiente (5/6), a ONG ambientalista WWF-Brasil divulgou uma pesquisa realizada pela organização em parceria com o Ibope, que reúne dados sobre os hábitos de consumo do brasileiro.

A pesquisa nacional tem por objetivo identificar tendências de comportamento e qualidade de consumo do brasileiro e os impactos que esses padrões geram sobre o meio ambiente e, também, identificar avanços para um consumo consciente da sociedade brasileira.

A reunião destes dados gera, ainda que não de forma exata, o que se chama de Pegada Ecológica, ou seja: os rastros que os humanos deixam sobre o meio ambiente (veja link ao lado).

A pesquisa traz informações valiosas, inclusive para orientar as políticas públicas (de transportes, tratamento de resíduos sólidos, energia, por exemplo).

Perguntas envolvendo o comportamento do brasileiro em casa com relação à destinação do lixo, uso de energia elétrica, água, além de hábitos de consumo em supermercados e alimentação, e tipo de domicílio, número de pessoas vivendo sob o mesmo teto, etc. são dicas importantes para o planejamento das cidades e dos modelos de produção e desenvolvimento adotados no país.

Sinal amarelo
A secretária geral do WWF-Brasil, Denise Hamú, avalia não somente os governos, mas as organizações não-governamentais, iniciativa privada e os cidadãos individualmente têm papel fundamental no equilíbrio necessário entre o consumo e a reposição de recursos pela natureza. Entretanto, Hamú destacou que campanhas como a do ‘apagão’ levam a resultados positivos de longo prazo, dado que se verificou nesta pesquisa.

“Todos estes indicadores podem ser melhorados com campanhas governamentais. Entretanto, é preciso que elas não sejam espasmódicas nem reativas, mas propositivas e cadenciadas, para obter resultados permanentes”.

Dentro de um outro escopo, Irineu Tamaio, coordenador do Programa Educação para Sociedades Sustentáveis, do WWF-Brasil, destaca aspectos positivos na mudança de comportamento do brasileiro em relação às questões ambientais. “Vinte e cinco por cento dos entrevistados afirmam que separam seu lixo para reciclagem, mas percebe-se deficiência por parte dos serviços públicos na infra-estrutura adotada nas cidades para implementar a coleta seletiva, já que estes entrevistados não indicam destinação para o material”, pondera.

Veja a íntegra do documento na página da WWF

http://www.wwf.org.br/index.cfm?uNewsID=14140

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Hello world!

maio 30, 2008 por sumakkausai

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